Folk Ya!

Folk Ya! Front Cover

“Folk Ya!” é um trocadilho que não foi feito pra que muitas pessoas o entendessem, já que há o risco de entendê-lo mal. Traduzindo ao pé da letra para o português ficaria “Folque-se!” ou “Vá se Folkar!”. A história é a seguinte: No ano de 2010, aconteceram coisas que me levaram a sofrer uma mudança nas minhas composições.

Conheci a fundo os Beatles, tive contato com bandas de Folk Rock como Grant Lee Buffalo e Bon Iver. Importante ressaltar que eu já era fã da banda norte-americana Bears desde 2008. Nesse momento a música Folk tomou a minha atenção, então, entrei numa banda chamada Nomad Rain, que tocava músicas de Folk Rock.

Pesquisando por mim mesmo, e acabei descobrindo tesouros como Jesse Colin Young, Bob Dylan, George Harrison, Yan and Sylvia, Sunbeam, Gandalf, entre muitas outras.

Durante essa época, saíram de mim músicas completamente diferentes das anteriores. Contudo, as letras continuava semelhantes: Algumas falando sobre personagens que saem da minha cabeça, outros descrevendo algo sobre a minha vida e, como não pode faltar, as minhas letras ácidas.

A partir de 2013, eu desenvolvi um estilo de letras que é uma mistura de comédia com tragédia, como as músicas “Eu me Queimei com Mingau”, “Ela me Usou”, “Eu vou Cortar o Cortisol” e “Burocracia”. Por quê não, “Tramédia”? O estilo casou perfeitamente com o projeto “Folk Ya!” e eu as incluí no álbum.

As influências do Folk Ya! são: Bears, Sunbeam, Água de Cachorro, Luiz Gonzaga, Falamansa, Paul McCartney & Wings, Jesse Colin Young & The Youngbloods, The Turtles, The Traveling Wilburys, Engenheiros do Hawaii, Kaleidoscope (US) e Gandalf.

“Folk Ya!” demorou 5 anos para ficar pronto. É um album de um homem só, no qual todas as músicas foram compostas, gravadas e mixadas por mim. Ele foi gravado e mixado nos programas Audacity e FL Studio 11. Dúvidas e sugestões devem ser mandadas para contato@cassiosa.com.

Mostrar-lhes-ei uma (auto)análise faixa a faixa do álbum, explicando a história de cada uma das músicas e suas influências.

01 – Ela me Usou

“Ela me Usou” abre o “Folk Ya!” com uma típica batida de Folk Music seguida de um solo de violão contando com mais três violões de base. Tudo para e entra primeira frase do álbum “Ela me Usou”. É quando eu começo a narrar a minha trágica e cômica história. Ao longo da música, você notará a sequência de fatos que sempre levam ao mesmo refrão.

A música conta, na sua maior parte, com um vocal grave e mais backings harmônicos só final. Apesar de começar com bateria, ela é essencialmente acústica: 4 violões de aço, baixo acústico e bateria.

02 – Ele era um Garoto só

“Ele era um Garoto só” conta a história de muitos garotos sós. É uma história fictícia e verdadeira ao mesmo tempo. Talvez quando somos crianças, em algum nível, sempre nos sentimos garotos sós. É, também, uma história de superação e mudança.

Na mesma pegada acústica da música anterior, mas com vocais harmônicos mais ricos e trabalhados, “Ele era um Garoto só” é leve, mas mantém a pegada da bateria e, dessa vez, conta, também, com piano. Nos vocais do refrão eu faço três vozes diferentes, característica que é marcante no restante do álbum.

03 – Eu me Queimei com Mingau

Aqui, mais uma vez, eu não meço a minha descontração em fazer o “Folk Ya!”. É uma história real, eu realmente me queimei com mingau e tive que ir pra o hospital. Enquanto você escuta o meu relato, a música deixa a história ainda mais divertida.

Dessa vez a bateria dá lugar ao cajon, e os backings são mais predominantes, deixando a música mais dinâmica sem perder a sua leveza carregada de três violões, gaita, baixo e cajon. É pra rir à vontade.

04 – Cavalgar, Vaquejar

Uma das minhas músicas mais poéticas. Fala sobre o sentimento de leveza, de flutuar quando você faz o que gosta. Originalmente essa música foi feita para um documentário sobre as manifestações culturais da cidade de Terra Nova – BA, dentre as quais, cavalgada, vaquejada e samba de roda, as quais são predominantes na letra. Eu pessoalmente não sou um grande vaqueiro, tampouco um grande entender de cavalos. Nessa música quem fala é o meu eu lírico.

Em nível musical, essa música pode ser facilmente comparada com algumas músicas de Johnny Cash, com a batida tradicional do Folk Music que se confunde com o Country e se relaciona extremamente com cavalo, fazenda, etc.

05 – Eu vou Cortar o Cortisol

“Eu vou Cortar o Cortisol” é um trocadilho que eu uso quando digo que vou matar a fome. Cortisol é um hormônio liberado pelo nosso corpo quando estamos com fome ou situações de risco. Essa música fala sobre acordar todos os dias com fome e correr pra a geladeira pra achar algo pra comer.

A nível músical “Eu vou Cortar o Cortisol” é mais acelerada e mais dinâmica que as outras. Mais uma vez eu exploro a grande quantidade de violões, baixo, bateria e gaita. Os vocais harmônicos, mais uma vez, reforçam a descontração da música. É uma boa música pra dançar, e matar a fome, é claro.

06 – Lima Limeña

“Lima Limeña” fala sobre meus ouvidos zumbindo diante de uma língua que eu não entendia. É uma história sobre ser hipnotizado por palavras que você não entende. Mistura de entorpecimento e curiosidade. Eu faço, nessa música, uma referência à uma música que eu compus para outro projeto que se chama “Morfina”.

“Lima Limeña” começa leve e no refrão traz uma pegada Rock n’ Roll com guitarra distorcida e solo. É quando o álbum dá início ao Folk Rock.

07 – German Girl

“German Girl” dá continuidade ao Rock n’ Roll do “Folk Ya”. É a única música em inglês do álbum e conta uma história de uma história envolvendo uma alemã. Essa história não tem um final muito feliz, e é aí que eu aproveito a brecha pra escrever uma música.

Com uma característica guitarra com efeito wah-wah e um piano que faz diferença, essa música tem influência, sobretudo, de Foo Fighters e Pink Floyd. No refrão, e no final, a música traz bastante distorção e vocais harmônicos. É a música mais “nervosa” do álbum.

08 – Camellia Sinensis

A intensidade de “German Girl” é seguida da leveza de “Camellia Sinensis”. Com um simples dedilhado de violão e barulho de água fervendo, essa é uma música que fala sobre chá. Em momentos de preocupação, o chá me acalmava. O nome “Camellia Sinensis” vem da planta da qual se faz o chá. A letra é muito influenciada pelas letras de Humberto Gessinger, assim como algumas outras das minhas composições.

Musicalmente é influenciada pelo álbum “Simples de Coração” dos Engenheiros do Hawaii. É, também, a primeira música do “Folk Ya!” que tem a escaleta (instrumento de sopro).

09 – Burocracia

Burocracia traz de volta o Folk comédia (Folkmédia?). É uma letra completamente escrachada e fala sobre o meu sentimento em relação às instituições e suas administrações inutilmente burocráticas. O fato de que eu digo que quero matar os grandes autores que falam sobre burocracia se dá pelo fato de que no momento que eu escrevi essa música, eu estava fazendo o meu TCC (Trabalho de conclusão de curso) pra a faculdade, e estava com raiva de qualquer autor que falasse sobre qualquer coisa. Atenção: levar essa música a sério pode causar efeitos colaterais, como desprezo agudo ao autor.

Musicalmente, ela é leve e descontraída, com violões, cajon e baixo.

10 – A Tal Popular

“A tal Popular” fala sobre aquela menina que vende sua alma pela popularidade. Enquanto você vê todos ao seu redor se rendendo aos encantos da tal popular, você sente a necessidade de mostrar que com você as coisas não são assim. Essa letra segue o estilo de algumas que eu vinha fazendo antes do “Folk Ya!”, as quais continham um certo teor “ácido”.

Musicalmente, “A tal Popular” tem uma grande profundidade com um piano que preenche bastante a música, além de uma linha melódica de gaita e um órgão influenciado por “Shine on you Crazy Diamond” do Pink Floyd. Também traz vocais harmônicos trabalhados e pontuais.

11 – Albert Alpha Man

“Albert Alpha Man” fala sobre os muitos Albert’s que conhecemos: Aquele cara descolado e legal que de repente conhece uma menina e para de sair, para de ver os amigos e some. Muitos um dia foram grandes Albert’s ou vão ser algum dia.

Com uma pegada “Folk Rock”, essa música é altamente influenciada pela música “Minnie the moocher” de Cob Calloway, regravada pela banda Kaleidoscope, e pela música “Música Urbana” de Renato Russo, gravada pelo Capital Inicial. Apesar de ser Folk Rock, ela é mais linear do que “Lima Limeña” e “German Girl”. Tem uma batida que continua durante toda a música com o baixo acompanhando e intensificando o ritmo, e a ajuda de dois violões, gaita e um órgão com um timbre característico do Rock n’ Roll.

12 – Além Desse Mar

“Além Desse Mar” é a primeira música composta pra o “Folk Ya!” e a minha primeira música no estilo Folk. Ela fala sobre o sentimento de querer sair da zona de conforto e se aventurar lá fora. Ela é melancólica, profunda e traz um sentimento de otimismo apesar de todas as dificuldades.

Musicalmente eu diria que ela tem um estilo único, pois nenhuma música em particular me influenciava na época. O ritmo dela surgiu de “batuques” com a mão que eu fazia enquanto estava dentro do coletivo indo pra a faculdade durante um dia chuvoso. Ela conta conta com três violões, órgão, gaita, escaleta, baixo e bateria.

13 – Você me Atrasa

Pode-se dizer que “Você me Atrasa” é a continuação de “Além Desse Mar”. O mesmo sentimento de sair da zona de conforto é presente nessa música. No entanto, diferente da música anterior, ao invés de melancolia, essa música traz uma crítica à mentalidade das pessoas que ficam presas nas suas zonas de conforto. Eu diria que foi um presságio à minha viagem para fora do Brasil.

Musicalmente eu tive a audácia de tentar misturar Folk Music e Xote. Ela tem triângulo, cajon, baixo acústico, violão, piano, banjo, gaita e xilofone.

14 – Versos em Alto Tom

“Versos em Alto Tom” é um rock de meio de estrada. É a música para se ouvir enquanto viaja. Ela conta uma história de reviravolta quando eu pensava estar apenas aproveitando o momento. Também fala sobre tirar uma lição de tudo e que certas coisas não devem ser vistas como perdas, mas sim levar em conta a experiência que aquilo proporcionou.

Musicalmente é um rock linear com nuances de música Country, vocais harmônicos, distorção e um órgão peculiar. Seu solo de guitarra traz o final do meu primeiro álbum, “Folk Ya!”.

Se você chegou até aqui, espero que você tenha tido um bom momento mergulhando nesse trabalho e nas histórias nele contidas. Caso queira me dar uma palavrinha, eu adoraria ouvir de você. Um grande abraço do comparsa!

O Folk Ya! está disponível em todas as plataformas!

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Cássio SáFolk Ya!